Fraldas de pano em Recém Nascidos

4 dias – primeira tentativa, tamanho RN com ajustes em elástico

Desde que escolhi usar fraldas de pano na minha segunda filha tenho frequentado muitos grupos sobre o assunto e uma das dúvidas mais recorrentes que vejo por lá é se as fraldinhas podem ser usadas por recém nascidos e como fazer. Decidimos que a Camila usaria fraldas de pano ainda na gestação – fizemos até um chá de fraldas de pano – e a ansiedade para ver aquelas belezinhas envolvendo um bumbum de bebê era tanta que na primeira oportunidade eu já quis sair testando! A primeira tentativa foi com 4 dias de vida e aos 7 ela já estava já estava usando as descartáveis somente à noite. Com 20 dias começamos a usar fraldas de pano também para dormir e desde então estamos exclusivamente com elas.

Seguem então algumas dicas sobre o que fui aprendendo neste primeiro mês de uso de fraldas de pano.

Peso e comprimento:

Para se ter uma referência Camila é um bebê bem pequeno, nasceu com 2,870kg e 46cm. Na última consulta, com 22 dias de vida ela estava com 3,045 e 50cm.

1.Nacionais ou chinesas?

Tenho fraldas nacionais e fraldas chinesas na minha gavetinha, graças ao chá de fraldas consegui variar um pouco as marcas. Das nacionais tenho das marcas Nós e o Davi, Barriga de Pano, Bolinha de Sabão e Chiquita Bakana – elas tem uma modelagem bem menor e por isso acho melhores para começar o uso. das chinesas tenho as da marca Dipano – que são vendidas no Brasil mas fabricadas na China –  Coolababy e três chinesinhas “genéricas”. A modelagem delas é bem maior e demora mais para o bebê conseguir usar.

2.Tamanho único ou RN?

7 dias – tamanho único com ajuste e botões

Eu fiz chá de fraldas de pano e acabei ganhando bastante fraldinhas de tamanho único. Eu olhava para elas e as achava gigantescas para um bebê recém nascido, por isso decidi comprar algumas fraldas de tamanho RN. Comprei 6 da marca Nós e o Davi e foram as primeiras que consegui usar, já na primeira semana. Elas são consideravelmente menores que as de tamanho único e têm ajuste de elástico, anda vão servir por algum tempo, mais uns dois meses talvez. Na segunda semana já conseguia usar as tamanho único nacionais que eu tinha.

3. Quais modelos?

Minhas fraldas são todas do tipo pocket – quando a fralda tem um bolso onde você insere os absorventes – mas não consegui ainda usá-las dessa maneira, acabo usando como capas, com uma fralda tradicional – as tipo Cremer – por cima como absorvente. Nas fraldinhas tamanho RN eu uso a fralda dobrada em 4 e depois dobro esse quadrado em 3, deixando um retângulo do tamanho do centro da fralda. Nas de tamanho único eu uso com a dobra tradicional que minha mãe me ensinou (nesse link tem um vídeo ensinando essa dobra, eu só não uso as fitas).

Comprei as fraldas Cremer na reta final da gestação, depois de assistir um vídeo de uma mãe falando que preferia elas aos absorventes que geralmente vem com as fraldas modernas. Elas foram fundamentais para eu não desistir das fraldas de pano, isso porque minhas fraldas demoraram muitas lavagens para desimpermeabilizar e as tamanho RN são bem ruins de colocar o absorvente no bolso, pois ele é apertado.As Cremer são super absorventes,secam muito rápido e dificilmente impermeabilizam, tornando os primeiros dias bem mais fáceis. Além disso meus pais já tinham experiência com elas e me passaram algumas dicas que me deixaram bem mais segura no processo. Posso dizer que graças a elas eu cheguei no 100% pano e vou seguir nessa! Até esta semana uma fralda na dobra tradicional vinha sendo suficiente, a fralda segurava umas 3 horas e eu conseguia reaproveitar uma capa numa boa até 4 vezes, dependendo do tecido interior, mas nos últimos dias o volume de xixi aumentou e eu tenho testado combinações de absorventes e fraldas tradicionais.

4. Fraldas de pano à noite:

Como eu disse antes, com 20 dias de vida começamos a testar as fraldas de pano à noite, para isso escolhi as da Dipano, usando um absorvente de microfibra no bolso e uma fralda cremer com dobra tradicional por cima. Como a Camila faz cocô e acorda para trocar a fralda no meio da noite não sei quanto empo seria o máximo de duração, mas já chegamos a 5 horas sem vazar.

Ps.: as fraldas da Dipano ainda ficam bem grandes nela, mas com essa combinação não sobra tanto nas perninhas pois o bumbum fica bem volumoso.

5. Quantidade de fraldas

11 dias – tamanho único com ajuste em elásticos

Eu comecei com 13 fraldas que serviam bem na Camila – 6 RN, 3 tamanho P e 5 TU. Agora tenho mais 7 TU servindo que uso somente à noite, de maneira mais reforçada.

Além disso tenho 30 fraldas cremer de 70cmx70cm com bainha e uma quantidade grande de absorventes de diversos materiais – meltom, algodão, algodão com soft, microfibra, carvão de bambu – que ou vieram com as fraldas ou ganhei separado no chá.

Esta quantidade vem sendo suficiente – lembrando que é verão e tem feito um sol escaldante aqui em Porto Alegre – a roupa seca em minutos!

6. Frequência de lavagens:

Usando as fraldas como capas temos lavado fraldas a cada dois ou três dias e tem sido bem tranquilo, não ficamos na mão nenhuma vez, mas já tivemos que usar a secadora para secar os absorventes e fraldas cremer (as capas não se recomenda secar em secadora).

Impressões gerais:

O que posso falar desse primeiro mês de bumbum de pano? Bem, estou amando! <3 É uma alegria olhar o preço das fraldas descartáveis e saber que não tenho que me preocupar com elas! É muito bom não ter que descer o lixo três vezes por dia! É uma beleza ver o bumbum do meu bebê sem assaduras (eu achava que isso era mito!) e é lindo ver as fraldinhas vestindo meu bebê!

É claro que eu sei que pra mim as coisas são bem mais fáceis porque tenho licença maternidade de seis meses, máquina de lavar roupas, espaço para pendurar as roupas, sol, uma secadora de roupas, marido – e mãe aos finais de semana – para dividir a tarefa de lavar as fraldas e que tudo isso ajuda minha experiência a ser mais positiva. Mas também vi que não é nenhum bicho de 7 cabeças e venci meu próprio preconceito.

Fraldas de pano são muito amor! Estou perdidamente apaixonada e tenho que cuidar para não virar a mega chata que fica pregando a mudança para todo mundo.

Deixem suas dúvidas e experiências ali nos comentários. Pretendo fazer outros posts com as minhas impressões sobre as marcas, o chá de fraldas e etc. Se vocês curtirem e comentarem bastante quem sabe rola até um vídeo! No nosso instagram também rola muita coisa sobre a nossa experiência com fraldas de pano, segue a gente lá: @blogeumamae

 

 

Ser “mãe de menina” em meio à cultura do estupro

Há quase um ano não escrevo neste espaço, mas hoje eu não podia calar. Hoje nos comoveu o fato de que 30 homens (TRINTA HOMENS) estupraram uma menina, de 16 anos e publicaram o fato em redes sociais…

O acontecimento é de uma barbárie tão absurda que choca, fere, agride a cada mulher, tendo sido ela vítima ou não vítima de qualquer violência sexual na vida, porque sabemos, mesmo que somos todas vítimas em potencial, porque todas já fomos ou conhecemos alguma mulher muito próxima que já foi vítima de violência…O fato mobilizou as redes durante todo o dia, causou comoção e indignação, mas não deveria nos chocar apenas pela barbárie e sim pelo que ele tem de mais comum: esses 30 homens não eram todos “doentes”, “bárbaros”, “marginais”. Eram homens, que tiveram uma socialização que os faz crer que tem direitos absolutos sobre o corpo de uma mulher qualquer.

Eu sou mãe de mãe de uma menina de 3 anos, estou grávida pela segunda vez, quase certamente de outra menina. Podia dizer aqui que quando o médico olhou para o tal tubérculo genital e falou que “era muito difícil que fosse um menino” aquela informação não fez a mínima diferença, pois pra mim tanto faz o sexo do bebê, mas isso não seria uma verdade. Ser mãe de menina faz toda a diferença…

Faz diferença porque vou criar minhas filhas em uma sociedade que promove a cultura do estupro, que não ensina seus meninos a respeitarem o corpo, os desejos e as vontades das meninas. Uma sociedade que usa mulheres para vender carros, cervejas, roupas, perfumes e qualquer outro artigo que se deseje vender ao público masculino. Uma sociedade que as objetificará como enfeites, que cobrará sua beleza, sua docilidade e seu recato. E essa sociedade, infelizmente não mudará em 10 ou 15 anos (talvez mude para pior).

Eu sempre ensinarei a minhas filhas sobre consentimento, sobre dizer não e exigir que seus “nãos” sejam respeitados. Mas isso não me impede de me sentir de mãos atadas, sabendo que não poderei protegê-las das violências que estarão sujeitas apenas por serem mulheres. Eu poderei ensiná-las o que é estupro, o que é violência sexual, que a culpa nunca será delas, mas não estarei no quarto quando o namorado forçar a barra e sem ela estar afim, ou quando ela beber demais e o amigo oferecer carona e achar que isso quer dizer um sim. Não vou poder evitar que elas entrem em relacionamentos abusivos onde sexo sirva de moeda de troca por migalhas de afeto…

Talvez a parte mais fácil da minha tarefa seja ensiná-las a correr e gritar se forem atacadas em uma rua escura, mas temos que parar de ver a violência sexual apenas como o ato de um “tarado” que ataca na calada da noite e começar a enxergar a violência diária, a qual talvez nossa mães, irmãs e amigas estejam sendo submetidas bem ao nosso lado. Uma violência que é corroborada e ensinada por toda a sociedade, que tem a conivência de toda uma cultura, voltada para promovê-la e naturalizá-la.

Essa cultura não irá mudar de uma hora para a outra, na verdade eu me vejo bem pessimista e não a vejo mudar tão cedo… Porque ela passa por uma mudança no pensamento e nas atitudes de toda a sociedade. Ao mesmo tempo em que vejo mães tentando criar meninos mais respeitosos eu vejo amigos dizendo ao pai de menina que ele “deixou de ser consumidor pra virar fornecedor”, familiares perguntando se o menininho de 4 anos já tem namoradinha, body de bebê escrito “Salva Gatas” e uma infinidade de “inocências” que reforçam o pensamento de que “menino é assim mesmo”. Lá na frente esse mesmo menino vai estar na mesa do bar dando tapinha nas costas do brother que controla o tamanho da saia da namorada, que força a barra com a guria na balada, achando que isso não é nada e fazendo girar a roda da cultura do estupro.

Apenas para fins de curiosidade: o 9º anuário do Fórum Brasileiro sobre Segurança Pública traz o dado de 47.646 estupros registrados no Brasil no ano de 2014 – o que daria uma média de um estupro a cada 11 minutos – porém estima-se que apenas 35% dos casos sejam reportados à polícia, o que daria um número quase 3 vezes maior! Este mesmo anuário traz o dado de que 90,2% das mulheres tem medo de sofrer violência sexual…

Tá facinho ser mulher nesse século 21…

 

Fazendo as pazes com meu desmame

IMG_20140113_084831Minha filha mamou no peito, exclusivamente até os seis meses, em livre demanda até um ano, quase sempre que quis até os 20 meses, para dormir até os 22 meses… Sim, ela foi desmamada com quase dois anos e só agora, passados mais de seis meses do nosso desmame, eu consigo falar abertamente sobre isso.

Aos olhos de todos o desmame da minha filha foi natural, ela foi diminuindo suas mamadas até que um dia desistiu de mamar, mas eu sei que não foi assim e ela também soube… O desmame foi conturbado e sofrido, para nós duas, ainda que isso não tenha sido aparente. Começou em outubro do ano passado, quando ela estava com 1 ano e 8 meses. Pouco menos de um mês antes eu havia sido chamada em um concurso público, neste curto período de tempo eu o Diego tivemos que procurar creche, escolher, readaptar nossa rotina. O Diego tirou férias para que ela pudesse ter um pouco mais de tempo para a adaptação, mas cinco semanas eram pouco tempo para acostumar alguém que passou toda sua vidinha com a mãe em tempo integral a ficar longe por mais de dez horas no dia, de uma hora para a outra…

E ela se adaptou, depois de um início um pouco conturbado passou a comer melhor na creche, já não chorava (tanto) para ir no colo da professora, sabia o nome dos coleguinhas e perguntava por eles no final de semana, estava feliz. Eu também estava me adaptando, a ficar longe dela, longe de casa, a conversar com outros adultos sobre assuntos que não eram fraldas, papinhas e horas de soneca…

Mas as mudanças foram grandes, depois de trabalhar das 8h às 18h eu chegava em casa cansada, ela também já estava quase dormindo. As cerca de três mamadas diárias diminuiram para uma antes de dormir. E eu estava emocionalmente fragilizada, me sentindo frustrada por ter tido que proporcionar à minha filha uma mudança tão brusca, sem sequer um tempo maior de adaptação, o trabalho em si não era uma grande motivação, era apenas um trabalho que eu precisava – e ainda preciso no momento e que consumia a maior parte útil do dia.

E no meio desse turbilhão de emoções maternas e de mudanças na vida da filha veio o desmame, dois meses depois de eu começar a trabalhar. Ela foi “perdendo o interesse” no peito e eu fui deixando de oferecer, como eu disse antes, aparentemente tudo muito natural, mas eu sabia que não. E me senti culpada, muito culpada, pois além de todas as mudanças de rotina e simplesmente ‘me deixei’ desmamar, naquele que não era o melhor momento para minha filha.

Isso foi há seis meses, mas só agora eu consigo realmente falar sobre o desmame sem aquele véu de “ela desmamou, foi natural…” para tentar me sentir mais confortável. A verdade é que aquele período foi um momento de mudanças muito bruscas, para as quais eu não estava preparada – e talvez ainda não esteja – e que emocionalmente eu não estava conseguindo lidar com a amamentação da minha filha. Nunca me vi fazendo praticando amamentação prolongada, mas pretendia deixar minha filha mamar até quando ela precisasse.Acabei conduzindo um desmame precoce – ainda que ela tenha mamado até quase dois anos – pois ela não estava pronta para desmamar naquele momento.

Eu demorei seis meses até conseguir fazer as pazes com meu desmame, até conseguir ter uma auto-empatia (será que isso existe gente) e entender que eu fui ao meu limite e que não conseguiria passar daquele ponto, até aprender que mesmo com toda a informação, a vontade e o apoio familiar que eu tive desde o início o equilíbrio que faz com que a amamentação seja uma tarefa leve e possível pode se quebrar quando menos esperamos.

Obviamente eu não vou me isentar da responsabilidade pelas eventuais consequências que esse desmame abrupto, ainda que com uma aparência de gradual e natural, possa ter na minha filha. Essa consciência e a tentativa de lidar com elas é inclusive o que me faz conseguir ser mais compreensiva e saber que fiz o que me foi possível diante das circunstâncias específicas que me afetaram.

 

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